quarta-feira, 17 de março de 2010

inconstância

s. f.1. Falta de constância; volubilidade.

2. Instabilidade. (s.f - inseguridade na permanência).
 
god.
 
 

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tio Bonner

O Tio Bonner é normal. Ou melhor, como ele mesmo disse, "rigorosamente quase normal, porque normal, normal mesmo, de pertinho, eu não conheço ninguém".
Enfim, o Bonner, âncora, editor-chefe do JN, ganhou o prêmio ShortyAwards, o "Oscar" do Twitter. Ele ganhou na categoria Jornalista - mesmo assumindo, que não faz jornalismo no twitter. Mas aí que tá a graça: Bonner mostra, nessa ferramenta, que é humano, é normal, vive, como a gente. Diferente daquele estrelato e pose de heroismo que muita gente gosta de rotular. É por isso que ele brinca, tem os seguidores como "sobrinhos", e interage com o público, os espectadores, e (pq não?) com os fãs, como eu nunca vi um editor-chefe fazer. Realmente, muito do que ele escreve, como mesmo assume, não faz sentido, é muita brincadeira: não importa. Ele já faz jornalismo o dia inteiro, deixa o cara brincar e ser simpático. Aí embaixo tá uma entrevista dele para o G1 , sobre o twitter e o prêmio. Confere aí.


O última parte da entrevista está AQUI
Dá o follow aí:   @realwbonner

quinta-feira, 4 de março de 2010

Para uma avenca partindo

É um texto do Caio F. Depois que li O Ovo Apunhalado(que a @gabicg_ me emprestou), lá em 2007,  nunca esqueci desse conto.
Talvez seja a hora de colocar ele aqui, na íntegra. E fôlego pra quem quiser ler. Mas vale a pena....

 Para uma avenca partindo
Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viveras superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualqueratraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um diadestes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.
Caio F. Abreu

domingo, 21 de fevereiro de 2010

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[Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira]

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O que não dá pra evitar...

foto melissa mattos

Me desculpem, mas não tem como evitar a ânsia em falar desse livro. Acabei de ler o Pra Ser Sincero - 123 variações sobre o mesmo tema, do Gessinger, e terminei a última página com vontade de voltar à primeira e ler tudo de novo. Claro, sou super suspeita pra falar, né, então, relevem. E não hesitei em ler todas as 123 letras de músicas  - sim, tinha várias que eu não conhecia. Entre uma sééérie de coisas que descobri sobre o seu Humberto, vi que ele também leu o livro o Lobo da Estepe, que inspirou o nome da banda O Teatro Mágico... inclusive tem uma música dele que fala em "O teatro mágico -entrada só para iniciados".
Também 'descobri', mesmo ouvindo a letra e não prestando atenção, que de acordo com o que seu Humberto leu certa vez, o mundo teve cinco extinções em massa sim, e 400 humanidades. ( e nós, com esses números?!)
Ah, e a música que fala na "bandeira tricolor na sacada em frente ao mar", na cabeça do seu Humberto, era a bandeira do Rio Grande do Sul na sacada do seu apartamento no Rio de Janeiro... mas, já viu as interpretações que saíram da frase, né ?!
E o que mais me deixou..."feliz", se assim posso dizer, foi o comentário da música 3x4. Sim, ouvi ela muitas vezes sussurada e em altos tons, nem sempre cantada pelo Gessinger. E não imaginava que fosse feita realmente pra Adriane, a mulher dele. No final do comentário, eu tive que sorrir.

"3x4: Dedicada à Adriane. De fato, perdi minhas chaves na primeira vez que fui à casa dela. Tri a fim de causar uma boa impressão, acabei fazendo todo mundo revirar móveis procurando um chaveiro do Snoopy. Não tive coragem de expor minha tese sobre sumiço de objetos, mundos paralelos, etc. Melhor ficar com fama de trapalhão do que maluco. Anos depois, me dei conta de que era um sinal. Uma premonição que não tive. Tava na cara que ia ser pra toda vida".
(PSS123, pág. 241)

Um pitaco crítico a respeito do livro? Poderia ter mais comentários sobre as letras. Váááárias que - imagino - renderiam comentários legais, e, no fim, ficou só a letra estampada na página. De resto, tudo tri! O Humberto usou das mesmas ferramentas às quais escreve as músicas (se formos reparar nas músicas, quantas e quantas frases iguais encontramos em músicas diferentes?). So, so! Recomendo pra quem é fã! Vai terminar de ler com um super suspiro bom, e uma boa sensação estranha...
Beijos!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

além do dia a dia

que esvazia a fantasia ...

passar mais de ano sem entender, e tentando entender nesse tempo todo. chegar no final, suspirar e perguntar se realmente é quem você conhece, ou, se afinal, você conhece ou conheceu mesmo.

vazio

 só a mudança é permanente



quero praiaaaaaaaaaaaa! e a minha família lindaaaa!! saudaaade

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ainda em tempo...

2009 já foi embora a quase duas semanas, e eu quase abandonei esse lugarzinho. Mas nem se quisesse conseguiria. Depois de mais um intervalo de 'férias' do blog, cá estou, ainda em tempo, pra fechar (um pouco atrasada) 2009 com aquela velha retrospectiva de todos os anos...

É meio clichê, sim, mas é inevitável dizer que 2009 me fez crescer. Em altura, nunca mais, né gente! Mas em tamanho interior, demais. Em experiências que eu sei que precisava. E ainda preciso, e quero (sempre mais)!
Em resumo, 2009 me deu o Abra, de março a julho. Uma edição por mês, com reportagens - e cada uma, pronta e impressa, me deixava com o olho brilhando, mesmo sendo um jornalzinho interno da faculdade.
2009 me deu entrevistas inesquecíveis. Não só a com o Duca. Coloco na lista as conversas com os garis, com os jornaleiros, com os portadores da síndrome de Down, com as famílias do Itararé e do Por do Sol.
2009 me deu a monitoria da agência de notícias, e uma pauta atrás de outra, e semanas corridas - mas boas!!
2009 me deu o meu primeiro estágio. Experiência atrás de experiência, novidade atrás de novidade.
2009 me deu oportunidades... Que, espero, vão se consolidar nesse que chegou.
2009 me deu uma turma nova, um curso novo e mais gente ao  meu redor.
2009 me deu uma visão mais panorâmica desse mundinho. Me deu música e livros bons.
Mas 2010 tem que dar mais, muito mais ainda.
OUSAR é a palavra para esse ano.
Entrar nele com pé direito, pensamentos tranquilos e energia positiva...
Boto fé nesse ano que chegou. Feliz 2010, gente querida!!!