Mostrando postagens com marcador Humberto Gessinger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Humberto Gessinger. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

âncora? vela?

qual me leva? qual me prende?


Então essa pergunta é feita toda vez que o play roda em Mapas do Acaso. Fato é que, diante de uma pergunta com resposta quase tão óbvia, as alternativas viram milhares... pensamento digno de horas reflexivas, com direito a papo filosófico, conversa em mesa de bar ou em volta de pequenas viagens.
 Âncora prende. Vela leva... Mas, em uma visão ampliada, parafraseando o carinha das consoantes, há várias variáveis... E aí a pergunta, feita numa noite de sábado em Porto Alegre, enquanto tocava no som do carro essa música, foi respondida em duplicidade.
Quem sabe? Do que depende? Uma vela pode ser superficial. Leve. Leva, como o vento, é incerta... A âncora, concreta, sólida, permanece. Pode passar a (falsa?)sensação de segurança... naturalmente, não deixaria escapar.
Pelas toneladas, âncora inevitavelmente e sem sofrimento, prende a qualquer um, mesmo que não queira. Mas depois, por prender indiscutivelmente, pode virar martírio.
Talvez aí então, a beleza e a força do oposto... Enquanto uma vela não tem a capacidade de te prender pelo peso, ela, com um mistério espantoso, simplesmente pelo prazer da leveza... Me leva desafiando pra lugares inexplicáveis. Como um ímã, atrai... conecta... Pela liberdade, prende. Aí, a duplicidade boa da coisa.
A vela então, sem querer, também toma o papel da âncora: me leva... e me prende.
"...aprendi contigo a navegar, a qualquer tempo, em qualquer mar"
enghaw

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O que não dá pra evitar...

foto melissa mattos

Me desculpem, mas não tem como evitar a ânsia em falar desse livro. Acabei de ler o Pra Ser Sincero - 123 variações sobre o mesmo tema, do Gessinger, e terminei a última página com vontade de voltar à primeira e ler tudo de novo. Claro, sou super suspeita pra falar, né, então, relevem. E não hesitei em ler todas as 123 letras de músicas  - sim, tinha várias que eu não conhecia. Entre uma sééérie de coisas que descobri sobre o seu Humberto, vi que ele também leu o livro o Lobo da Estepe, que inspirou o nome da banda O Teatro Mágico... inclusive tem uma música dele que fala em "O teatro mágico -entrada só para iniciados".
Também 'descobri', mesmo ouvindo a letra e não prestando atenção, que de acordo com o que seu Humberto leu certa vez, o mundo teve cinco extinções em massa sim, e 400 humanidades. ( e nós, com esses números?!)
Ah, e a música que fala na "bandeira tricolor na sacada em frente ao mar", na cabeça do seu Humberto, era a bandeira do Rio Grande do Sul na sacada do seu apartamento no Rio de Janeiro... mas, já viu as interpretações que saíram da frase, né ?!
E o que mais me deixou..."feliz", se assim posso dizer, foi o comentário da música 3x4. Sim, ouvi ela muitas vezes sussurada e em altos tons, nem sempre cantada pelo Gessinger. E não imaginava que fosse feita realmente pra Adriane, a mulher dele. No final do comentário, eu tive que sorrir.

"3x4: Dedicada à Adriane. De fato, perdi minhas chaves na primeira vez que fui à casa dela. Tri a fim de causar uma boa impressão, acabei fazendo todo mundo revirar móveis procurando um chaveiro do Snoopy. Não tive coragem de expor minha tese sobre sumiço de objetos, mundos paralelos, etc. Melhor ficar com fama de trapalhão do que maluco. Anos depois, me dei conta de que era um sinal. Uma premonição que não tive. Tava na cara que ia ser pra toda vida".
(PSS123, pág. 241)

Um pitaco crítico a respeito do livro? Poderia ter mais comentários sobre as letras. Váááárias que - imagino - renderiam comentários legais, e, no fim, ficou só a letra estampada na página. De resto, tudo tri! O Humberto usou das mesmas ferramentas às quais escreve as músicas (se formos reparar nas músicas, quantas e quantas frases iguais encontramos em músicas diferentes?). So, so! Recomendo pra quem é fã! Vai terminar de ler com um super suspiro bom, e uma boa sensação estranha...
Beijos!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

tententender...

...eu explico.
a ideia não é originalmente minha, vocês devem saber.
tententender é o nome de uma das músicas do pouca vogal (duca+gessinger), e já que eu estava num processo de metamorfose deste blog, decidi agora deixá-lo com esse nome.
motivos pra essa mudança não faltavam, já que o nome antigo era apenas algo que eu achava "bonitinho".

por que tententender ?
procurando um novo endereço pra esse espaço, me deparei com essa frasesinha, e estaquei nela. não é "só" uma música linda de um duo que faz qualquer um cantarolar. além disso, passa exatamente o que eu gostaria de falar. não, não a letra da música, a frase em si: tente entender. não apenas o meu mundo, ou o teu mundo, ou as minhas tristezas, meus devaneios, minhas reclamações.
é muito mais, talvez um dia a gente precise entender o que vai além do próprio quarto, da própria vidinha, além das nossas paredes, das nossas limitações...
sei lá, tententender o que talvez eu nem consiga explicar, nem entender.

ps: não é nenhum equívoco, os dois R's na frase eram necessarios pra poder ativar o endereço. então é assim mesmo:
tententederr.blogspot.com

that's it!

sábado, 23 de maio de 2009

desafinado coro dos contentes!

é isso que eu chamo aquela galera toda, aquela multidão em uníssono, aquele coro apaixonado, enlouquecido, eufórico, cantando com o coração. que mistura de sensações boas quando eu ouço todas aquelas músicas. que coisa boa gritar, bem desafinada, todas aquelas canções. que nostalgia.
vamos remar contra a corrente,
desafinado coro dos contentes!
ó o auê aí

gessinger+leindecker=poucavogal(sta maria,22.05.09)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

frases do dia

a gente escreve o resto, sem muita pressa
com muita precisão
nos interessa o que não foi impresso,
e continua sendo escrito à mão
Escrito à luz de velas, quase na escuridão
longe da multidão.

não me perguntem porquê, tava com essa musica na cabeça o tempo todo hoje, (talvez por causa das portas da percepção de Blake, que o R. Ocanha comentou, e citadas nessa música) então, resolvi transcrevê-la aqui.

ah, e como eu estava lendo On The Road, do Kerouac, vai aí uma frasesinha, que eu li nas primeiras páginas.

'para mim, pessoas mesmo são os loucos; os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações.' (kerouac)

nada muito a dizer hoje
ah, tô na minha casa! entende-se, a minha de Santa Rosa.
beijos pro gessinger
ele mandaria beijos pra torcida.

domingo, 14 de outubro de 2007

about Engenheiros do Hawaii

Nossa, minha vida bloguística anda completamente desatualizada, mas a merda é que não consigo postar lá em Santa Maria. Cada dia que eu observo uma coisa, tô pensando 'oh, isso vou escrever no blog', mas quando vejo, esqueci o que eu tinha pensado em escrever, e quando vejo , já faz mais de um mês que não escrevo mais nada aqui. E minha inspiração não tá aguçada hoje, mas mesmo assim quis movimentar um pouco essa paginazinha.


Então vamos falar de Engenheiros. É que realmente, é uma das bandas que eu mais escuto, que eu mais gosto, as letras que mais me chamam atenção. As músicas deles remetem à minha infância, fazem lembrar meu irmão, me sintonizam com meu mundinho, rasgam minha cabeça de tanto pensar, e são boa parte da nossa trilha sonora (né Juliane Mattiazzi??).
As letras dos caras têm um tanto de ironia, trocadilhos, sátiras, crimes e perfeições... são críticas, perguntas que deixam no ar, questões sociais e uma visão de mundo que é só deles e de quem consegue entender um pouco do que eles expressam...

E falando em trocadilhos, é isso que faz o interessante das letras deles:

"O que me fissura nos ditados é que são surpreendentes. Fico atento pra pegar essas périolas, essas frases de caminhão. A gente subverte uma palavra no fim e já cria um efeito ambíguo. O nonsense e o abstrato são geniais, o supra sumo da cultura ocidental. Mas hoje em dia eu tenho horror da sua vulgarização. Acham que todo nonsense faz sentido, caretearam. O que a gente tenta é sair desse atoleiro de nonsense. É buscar o significado e enlouquecer, desmistificar a razão. Pegar um ditado teoricamente careta e subvertê-lo" -Humberto Gessinger.

"Somos absolutamente fascinados por isso, frases de efeito ou sei lá como chamam. De repende, duas coisas estandartizadas como o símbolo hippie e uma engrenagem, quando juntam vão formar uma outra coisa. Essa é uma viagem da banda." - Carlos Maltz

E tá, não tem como escolher uma ou outra boa pra colocar aqui,
então tá aí... muitas das perguntas que deixam no ar.

Quanto vale a vida de qualquer um de nós?
quanto vale a vida em qualquer situação?
quanto valia a vida perdida sem razão?
num beco sem saída, quando vale a vida?
são segredos que a gente não conta
contas que a gente não faz
quem souber quanto vale, fale em alto e bom som
quantas vidas vale o tesouro nacional?
quantas vidas cabem na foto do jornal?
às sete da manhã, quanto vale a vida
depois da meia-noite, antes de abrir o sinal?
são segredos que a gente não conta
(faz de conta que não quer nem saber)
quem souber, fale agora ou cale-se para sempre
quanto vale a vida acima de qualquer suspeita?
quanto vale a vida debaixo dos viadutos?
quanto vale a vida perto do fim do mês?
quanto vale a vida longe de quem nos faz viver?
são segredos que a gente não conta
contas que a gente não faz
coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz: quanto vale a vida?
nas garras da águia
nas asas da pomba
em poucas palavras
no silêncio total
no olho do furacão
na ilha da fantasia
quanto vale a vida?
quanto vale a vida na última cena
quando todo mundo pode ser herói?
quanto vale a vida quando vale a pena?
quanto vale quando dói?
são coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz: quanto vale a vida?