... é que eu acho que já está mais do que na hora de voltar a dar alguns registros por aqui. Enquanto esse blog não recebe outro nome e nem vira outro novinho em folha, voltarei a alimentar com pitacos, ideias, músicas, devaneios e qualquer outra coisa que passar pela minha cabeça.
Por enquanto, deixo um registro do show da Cidadão Quem, que rolou ontem aqui em Santa Maria. Foi nostálgico, e foi bonito também, apesar de não ter lotado o Tênis.
Aqui, no site do Diário, dá pra saber um pouquinho mais sobre como foi o show :)
Ah! E aqui vocês podem ver uma entrevista que fiz com Duca lá em 2009, ainda nos tempos de faculdade, depois de um show do Pouca Vogal. Foi uma das primeiras entrevistas que fiz e ainda lembro do nervoso na hora das perguntas.
Já aqui tem a entrevista que rolou com ele por e-mail e foi publicada ontem no Diário 2, antes do show.
sábado, 21 de junho de 2014
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
eternizada
Eternizei.
Quantas estradas um homem precisará andar
Antes que possam chamá-lo de homem?
Quantos mares uma pomba branca precisará sobrevoar
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim, e quantas balas de canhão precisarão voar
Até serem para sempre banidas?
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento
Sim, e quantos anos uma montanha pode existir
Antes que ela seja dissolvida pelo mar?
Sim, e quantos anos algumas pessoas podem existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim, e quantas vezes um homem pode virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento
Sim, e quantas vezes um homem precisará olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes ele causará até saber
Que pessoas demais morreram...
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento?
Fazia tempo que queria tatuar algo, desde os tempos de colégio. Já quis tatuar beija-flor, símbolo do infinito e flor-de-cerejeira. Ainda bem que esperei. Se bem que algumas dessas ainda me parecem tão, mas tão bonitas...
Sabe aquela história de esperar pra fazer algumas coisas...
Minha tatuagem foi pensada com carinho. Ganhei do Rafa, de presente de aniversário em 2012. De lá pra cá, foram mais de 11 meses "pensando com carinho" em como aproveitar o presente que havia ganhado. Foram longos meses de tentativas de decisões.
O tempo, pelo menos, serviu para amadurecer a ideia e fazer com que ela fosse realmente aquilo que eu queria eternizar.
A frase? É o "miolo" de uma linda canção que faz vários questionamentos. E simplesmente diz que a resposta, meu amigo.... está soprando ao vento. De quem? Bob Dylan.
Eis a letra. Aí embaixo. Para compartilhar o motivo de eu levá-la comigo pra sempre.
Quantas estradas um homem precisará andar
Antes que possam chamá-lo de homem?
Quantos mares uma pomba branca precisará sobrevoar
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim, e quantas balas de canhão precisarão voar
Até serem para sempre banidas?
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento
Sim, e quantos anos uma montanha pode existir
Antes que ela seja dissolvida pelo mar?
Sim, e quantos anos algumas pessoas podem existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim, e quantas vezes um homem pode virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento
Sim, e quantas vezes um homem precisará olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes ele causará até saber
Que pessoas demais morreram...
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento?
| Tatuagem de Cristiano Gottselig Strieder |
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terça-feira, 2 de julho de 2013
o aconchego de dometila
Pra quem (como eu, antes) não tinha ouvido falar, Dometila de Castro Canto e Melo era a Marquesa de Santos, que viveu com Dom Pedro I na corte, como sua amante, e recebeu esse título pelo próprio amado. Mas não é do império que vou falar, não vai rolar aqui uma aula de história.
É que há um pedacinho do século 19 perdido em uma rua de Porto Alegre. Ou achado.
Esse pedacinho fica exatamente em frente à Praça Dr. Mauricio Cardoso, no bairro Moinhos de Vento. É um pedacinho muito charmoso, chamado Dometila Café.
O lugar, que leva o nome da amante de Dom Pedro, tem todo o ar de romantismo. Fica em um prédio discreto com uma fachada aparentemente antiga. Apesar de discreto, o lugarzinho chama tanta atenção que só o que ouvíamos quando as pessoas passavam em frente era "que barzinho legal". "olha, que bonitinho". "precisamos vir aqui".
O charme não fica só na meia luz, nas velas, no gramado sintético na calçada em frente ao bar e nas rosas naturais colocadas em um delicado vaso cima da mesa.
Quando você chega, é recebido por uma chuva de pétalas de rosa - e não é metáfora. Não é por acaso que verá várias pétalas no chão do restaurante.
O cardápio é quase uma obra literária e uma aula de história. Não é exagero e eu explico. Em meio aos lanches e cafés, há páginas em que se encontram cartas de amor escritas e dedicadas à dona do nome do restaurante,trocadas entre Dometila e o imperador. Os nomes dos pratos - os sanduíches são a especialidade da casa - são de pessoas da família de Dom Pedro e Dometila. A propósito, os pratos literalmente brilham: os sanduíches vêm enfeitados com purpurina comestível.
Precisa dizer mais?
Sim.
Pra completar a sequência de surpresinhas do lugar mais aconchegante que já fui, na despedida, caso for a primeira ida ao bar, você recebe uma rosa, "pela sua primeira vez". Quer mais charme?
Detalhe: você pode comprar o cardápio do bar, se simpatizar por ele. E se por acaso se apaixonar pela trilha sonora que deixa o bar mais aconchegante, pode levar ela também.
Em resumo, o Dometila é, literalmente, um lugar que mexe com todos os sentidos. Tato, olfato, paladar, visão e audição são provocados por cada elemento, desde a trilha sonora até o gostinho dos pratos e o cheirinho das pétalas de rosa, que faz o lugar ter um charme especialíssimo, e pede - é claro - uma linda companhia.
Quer conhecer? Anota:
Praça Dr. Mauricio Cardoso, 49
Bairro Moinhos de Vento
Fone: 51 3346-1592
Dometila Café no Facebook
É que há um pedacinho do século 19 perdido em uma rua de Porto Alegre. Ou achado.
Esse pedacinho fica exatamente em frente à Praça Dr. Mauricio Cardoso, no bairro Moinhos de Vento. É um pedacinho muito charmoso, chamado Dometila Café.
![]() |
| fotos: divulgação facebook |
O lugar, que leva o nome da amante de Dom Pedro, tem todo o ar de romantismo. Fica em um prédio discreto com uma fachada aparentemente antiga. Apesar de discreto, o lugarzinho chama tanta atenção que só o que ouvíamos quando as pessoas passavam em frente era "que barzinho legal". "olha, que bonitinho". "precisamos vir aqui".
O charme não fica só na meia luz, nas velas, no gramado sintético na calçada em frente ao bar e nas rosas naturais colocadas em um delicado vaso cima da mesa.
Quando você chega, é recebido por uma chuva de pétalas de rosa - e não é metáfora. Não é por acaso que verá várias pétalas no chão do restaurante.
Precisa dizer mais?
Sim.
Pra completar a sequência de surpresinhas do lugar mais aconchegante que já fui, na despedida, caso for a primeira ida ao bar, você recebe uma rosa, "pela sua primeira vez". Quer mais charme?
Detalhe: você pode comprar o cardápio do bar, se simpatizar por ele. E se por acaso se apaixonar pela trilha sonora que deixa o bar mais aconchegante, pode levar ela também.
Em resumo, o Dometila é, literalmente, um lugar que mexe com todos os sentidos. Tato, olfato, paladar, visão e audição são provocados por cada elemento, desde a trilha sonora até o gostinho dos pratos e o cheirinho das pétalas de rosa, que faz o lugar ter um charme especialíssimo, e pede - é claro - uma linda companhia.
Quer conhecer? Anota:
Praça Dr. Mauricio Cardoso, 49
Bairro Moinhos de Vento
Fone: 51 3346-1592
Dometila Café no Facebook
sábado, 6 de abril de 2013
o humor que chora
Aqueles carinhas que fazem, todos os dias, a gente enxergar pessoas com fones de ouvido rindo aparentemente sem motivo no trânsito, no ônibus, na rua, resolveram vir até Santa Maria hoje. Eles quiseram emprestar pra nós um pouco da alegria do Pretinho Básico, e se sentiram na dívida de nos entregar um pouco de humor depois de tanto peso triste e cruel desde o fim de janeiro.
Lá veio toda a tropa no início da tarde, instalou-se no prédio da reitoria e atraiu risadas, olhos curiosos, câmeras fotográficas, gritinhos histéricos...
E cumpriram a missão... Depois das 13h o Salão Imembuí ecoava de gargalhadas. Teve piada censurada pro horário - que escapou. Teve a aparição do Almir, do "Geiso", do "Faustão", as piadas velhas do Porã e as do Potter... rolou piada até com o reitor. Mas não foi só isso.
Hoje, durante o programa, depois que um pai falou sobre como estava levando a vida após a perda do filho na tragédia, eu vi uma cena simplesmente paradoxal. Que, penso, ninguém ali dentro imaginava ver.
Paradoxal? Sim. Alexandre Fetter escorou a mão sobre o rosto e desandou num choro (antes) contido. Chorou. Sim, o Fetter que brinca, solta palavrão e comanda os brincalhões, embargou a voz, engasgou, abaixou a cabeça, pausou e chorou. Poxa vida, ele mostrou que o Pretinho também chora. Os caras mais escrachados do FM gaúcho também entristecem. Também são complacentes, solidários. Eles também são pais, irmãos, amigos. Também sofrem e vieram chorar conosco. Claro, porque eles vieram sorrir conosco, vieram nos dar o riso que só eles proporcionam, mas nada mais solidário do que deixá-los chorar também, já que ainda não tinham sentido de perto todo o turbilhão de sentimentos que rolam em Santa Maria, quando se cruza pela Andradas, quando se atravessa a Rio Branco, quando se entra na UFSM, quando se enxergam os prédios do Centro de Ciências Rurais, quando se abraça um pai que perdeu um filho, quando se vê rostos jovens daqui cheios de uma coisa linda chamada... vontade de viver.
Fetter chorou e foi consolado, recebeu um afago e o abraço do pai que perdeu o Vinícius.
Fetter chorou e humanizou aqueles carinhas que algumas pessoas às vezes pensam que as vidas se resumem às piadas nas ondas do rádio. Fetter chorou e fez a gente chorar. E saiu daqui com abraços solidários.
Os pretinhos voltaram com a missão cumprida. O Fetter me disse que achava estranho dizer que estava alegre por fazer o programa aqui, em virtude de um fato triste. Não ache estranho, Fetter. Todos achamos alegre, mesmo sabendo o motivo. Porque eles, que não mais estão aqui, também achariam. Foi divertido. Feliz. Leve. Sorrimos. Era o que precisávamos. Tu nos emprestaste a alegria do Pretinho. Te emprestamos nosso ombro e solidariedade. Obrigada.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
searching for Rodriguez
Imagine um cara que faz um som muito, muito bacana que encanta qualquer amante de música boa. Mas você nunca viu o rosto dele. Tudo a seu respeito é envolto em mistério, não se sabe sequer o seu nome verdadeiro nem de onde a criatura vem. Mais: tudo o que se ouve é que o cara teve uma morte esdrúxula, tipo atear fogo no próprio corpo em cima de um palco no meio de um show. Então.
Não falo mais porque acabei de ler em uma crítica - e concordei - que quanto menos se souber de Searching for Sugar Man, melhor. O que posso dizer, sem estragar a surpresa de quem quiser assistir, é que o documentário (que levou o Oscar 2013 de melhor documentário) é sur-pre-en-den-te. Assisti sem saber nadinha. A única coisa que conhecia era uma das músicas da trilha (Crucify your mind), que me foi apresentada pelo Giulianno (que me passou o doc).
Estamos falando de Rodriguez, um "famoso desconhecido" de Detroit, que foi comparado a Dylan nos anos 70. Na África do Sul, segundo produtores musicais, chegou a ter mais sucesso que Rolling Stones.
Além da história, especial por ser originalíssima e real, a trilha sonora, do próprio Rodriguez, é demais. Músicas que, na época, foram um fracasso de vendas nos Estados Unidos, mas um boom arrebatador de sucesso na África.
Não lembro de ter visto documentário permeado de suspense como esse.
Podia falar mais, mas não quero estragar nada. Quem assistir, me chama pra uma conversa!
Não falo mais porque acabei de ler em uma crítica - e concordei - que quanto menos se souber de Searching for Sugar Man, melhor. O que posso dizer, sem estragar a surpresa de quem quiser assistir, é que o documentário (que levou o Oscar 2013 de melhor documentário) é sur-pre-en-den-te. Assisti sem saber nadinha. A única coisa que conhecia era uma das músicas da trilha (Crucify your mind), que me foi apresentada pelo Giulianno (que me passou o doc).
Estamos falando de Rodriguez, um "famoso desconhecido" de Detroit, que foi comparado a Dylan nos anos 70. Na África do Sul, segundo produtores musicais, chegou a ter mais sucesso que Rolling Stones.
Além da história, especial por ser originalíssima e real, a trilha sonora, do próprio Rodriguez, é demais. Músicas que, na época, foram um fracasso de vendas nos Estados Unidos, mas um boom arrebatador de sucesso na África.
Não lembro de ter visto documentário permeado de suspense como esse.
Podia falar mais, mas não quero estragar nada. Quem assistir, me chama pra uma conversa!
sexta-feira, 15 de março de 2013
soprando velinhas para unifra
Foi por acaso que entrei, em 2008, na Unifra. Meu objetivo ao vir para Santa Maria era, como qualquer estudante interiorana, cursar faculdade na universidade federal. Mas foi por conselho dos meus pais que resolvi prestar o vestibular para jornalismo na particular, e confirmar a vaga com a aprovação.
Durante o curso, tive toda a convicção do mundo de que me foi dada uma grande oportunidade. Entrei nos primeiros semestres com o olhar de quem quer devorar cada detalhe que vai conhecendo. Foi lá dentro que meus primeiros passos como repórter me foram oportunizados, com a participação no jornal experimental ABRA. Só eu sei dizer a alegria que tive em ver meu nome em uma página com textura de jornal impresso (ao lado do nome e da foto da Maiara. porque né?). Depois, a alegria de participar das reuniões semanais do jornal, que passou por um período de edições mensais (lá no início de 2009).
E claro que, para uma aluna não satisfeita com as tarefas de cada disciplina, meti-me na monitoria da Agência de Notícias (centralsul.org). Sim, o laboratório experimental está lá, todo a disposição dos acadêmicos. Com a professora Áurea Fonseca, mais oportunidades de me testar, reportar, trabalhar, ainda que sem extrapolar os muros da faculdade. Só que quem gosta não para. Foi a Unifra que me possibilitou a assessoria da Feira do Livro (em 2009 e 2010), com o Bebeto, e também do SMVC, em 2009. Mais aprendizado, dessa vez sentindo o gostinho de um evento para toda a cidade.
E o prazer em trabalhar como "formiguinha" na Feisma. Tudo culpa da, agora, coordenadora do curso, e pessoa a quem dedico uma admiração e carinho enormes (e ela sempre soube disso), Sione.
Além de tudo isso, não fosse a Unifra não teria nosso curta-metragem, que concorreu no SMVC 2011, com a orientação da querida Kitta. Não teriam os fóruns de comunicação, as palestras e oficinas com nomes conhecidos do jornalismo, as coberturas da programação de aniversário de ZH, e tantos bons colegas, e tantos bons professores, que viraram colegas e amigos.
Quero deixar registrada minha gratidão e meu desejo de vida longa ao Jornalismo da Unifra. Sou cria desse curso e encho o peito de orgulho por isso.
Um parabéns (a todos os que plantaram uma sementinha ou colheram bons frutos ali), do tamanho da alegria que tenho em fazer parte desta história.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
mini-bibliotecas no quintal
Vasculhando blogs, encontrei um projeto muito bacana, chamado Little Free Library (site oficial e página no Facebook). É um projeto que existe em vários países como na Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e no Canadá. Quando fui pesquisar sobre, achei muito interessante e fiquei me perguntando por que um projeto desses ainda não apareceu por aqui.
Funciona assim: uma casinha (como a da foto) é colocada na frente de casa (ou de um local público), com alguns exemplares de livro. Ali, qualquer pessoa pode ter acesso: pegar o livro que quiser, ficar o tempo que quiser, mas devolvê-lo.
![]() |
| Mini-biblioteca de Curitiba |
Encontrei também uma mini-biblioteca que fica em Porto Belo, Santa Catarina. Conversei com a idealizadora, a artesã Patrícia Estivallet, e ela me contou que a ideia surgiu entre um grupo de amigos, que se encontram para falar sobre literatura. “ Eu vi na internet algumas fotos de mini-bibliotecas na Europa, comentei e todos adoraram a ideia. Até que um dia, com a ajuda do meu filho, transformei um velho criado-mudo em uma casinha. Juntei livros meus e dos meus amigos. Outra amiga cedeu o jardim de sua loja, e pronto! Está lá há quase dois meses”, conta.
| Mini-biblioteca de Porto Belo, idealizada pela Patrícia |
A Patrícia ainda disse que os primeiros livros que foram colocados na biblioteca já foram levados, outros chegaram, e tudo está funcionando como ela esperava. Não existem regras, nem fichas. Se você quiser pegar um livro, pode devolver o mesmo, ou até doar outro. A ideia é a circulação – livre dos livros.
Genial, né?
A secretaria de cultura bem podia ter uma ideia dessas pra nossa cidade cultura.
Ou, algum de nós, com a ajuda de amigos. Que tal?
Eu apoio :)
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| Recado fixado no vidro da mini-biblioteca de Curitiba |
![]() |
| Uma das mini-bibliotecas na praça de Araucária |
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
impotência do fim
É estúpido como a única certeza que
temos na vida nos causa tanto aborrecimento quando nos deparamos de
frente com ela. Ou ao nosso lado. Às vezes ela chega pra pessoas tão cheias de
vida que é como se fosse uma traição. Um tiro pelas costas. Uma injustiça. Como
pode? Mesmo sabendo que é a única saída de qualquer ser vivo neste mundo, não
existe quem aja naturalmente diante dela, como se fosse algo tão rotineiro
quanto tomar café da manhã – e estupidamente, é. E quando a dor é por alguém do
convívio, ou apenas de perto de nós, o sentimento de solidarizar-se invade como
se fosse dor da gente. Junto dela, a indignação, o aborrecimento por sermos
impotentes diante disso, o intocável, irreparável, o inevitável fim.
Acompanhei pela internet e por
comentários de conhecidos, a luta contra o câncer de um cara que parecia assim,
cheio de vida. Tive a oportunidade de conhecê-lo no ano passado, durante o show
do Pearl Jam em Porto Alegre. Só um oi, um sorriso e a piada, com um bom humor, mostrando a carequinha para o
Rafa (eles foram colegas no Ensino Médio, em Santa Rosa): “É eu e o
Gianechini!”. Ele estava tratando a doença com quimioterapia. No demais, não
conhecia muito do Bernardo Rodrigues, mas percebi a garra que ele, a família e
os amigos tinham para que melhorasse e saísse do pavor do câncer. No domingo
passado, antes do jogo do Internacional (ele era fisioterapeuta das categorias
de base do Inter), os jogadores fizeram uma corrente de homenagens e entraram
em campo no Beira-Rio vestindo uma camiseta com a frase “Força, Ber”. Ele
entrou nas minhas orações diárias. Tive a certeza de que ele teve força, e
lutou até o fim. E agora, a família dele também entra nas minhas orações.
Sabe-se lá quais são as vontades
do cara lá de cima. Talvez jamais se entenda a partida dolorosa de um cara de
vinte e nove anos... A triste recompensa depois de tanta força, luta e fé...
Como também, mesmo que haja a desculpa esfarrapada de que a vida é assim mesmo,
jamais compreenderei porque esse ciclo precisa terminar assim. Mesmo quando
quem parte são meus avós, com 93 anos bem vividos...
O que sobra a nós, reles
impotentes diante de tanta adversidade imposta por algo supremo, além do nosso
entendimento, é aquele conselho quase clichê, mas que sempre cabe...Valorizar
os nossos. Viver, entender, respeitar, amar ... na máxima potência. Do resto, o Cara, lá em cima, se encarrega.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Apego
Há algumas semanas, a RBS TV Cruz Alta mostrou no JA uma história super inusitada: um americano que anda pelo mundo com um burro, percorrendo a América Latina. Na semana passada, o Diário teve a oportunidade de mostrar a história de perto: o Jonathan, o americano, passou pela nossa região. Pernoitou em Val de Serra e foi hospedado na casa de uma comerciante, depois veio em direção a Santa Maria e acampou em um local da BR 158, em Itaara.
Ele passou por Santa Maria também, atraindo atenção de simplesmente todas as pessoas que cruzaram com a dupla. Ganhou hospedagem, alimentos e chapéus de recordação. Contou a sua história para repórteres e pessoas que o encontravam no caminho. Sempre, é claro, acompanhado do burrinho de estimação - e de carga, mesmo - apelidado de Judas.
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| O burro Judas e Jonathan, em Itaara. Foto: Jean Pimentel |
Não tive a oportunidade de encontrar com Jonathan. Mas, sinceramente, me apeguei essa historinha. Queria muito ter conversado com Jonathan e poder ouvir e ver, de perto, os motivos dessa virada de vida, dessa coragem de caminhar o mundo, de "se encontrar espiritualmente" através da estrada.
Pra quem ainda não sabe direito a história, o Jonathan Dunham é um bioquímico, formado e pós graduado nos Estados Unidos.
Há sete anos percorre caminhos, cidades e casas de pessoas desconhecidas.
Há sete anos percorre caminhos, cidades e casas de pessoas desconhecidas.
Deixou de lado o mundo das fórmulas da bioquímica para tentar entender que a vida vai além disso. Na época, largou e se desapegou de tudo. Segundo o que relatou para a repórter Luísa Kanaan, não tinha esposa, nem filhos, mas tinha a vontade de encontrar Deus, a partir dessas viagens. Então, mochila nas costas e lá se foi.
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| Na Venezuela, em 2008. Foto: George Castellanos |
O animal ajudava o americano a carregar seus mantimentos, como algumas roupas e material para montar sua barraca no acampamento. Quando Jonathan conversou com o Diário, disse que o bichinho tinha um sexto sentido, e o ajudava a reconhecer quando as pessoas que encontrava eram confiáveis. Por muitas vezes, Judas foi único companheiro do americano nas suas andanças. Sim, como ele mesmo relata no blog , ele já passou dias sem enxergar outra coisa senão estrada e campo. Nesses momentos, tinha sempre ao lado o seu fiel companheiro. Juntos, percorreram mais de 18 mil quilômetros em cinco anos de convivência.
Mas, depois de passar por Santa Maria, na estrada entre Caçapava do Sul e Bagé, o burrinho passou mal. Foi na madrugada de terça para quarta, segundo relatado pelo americano a um caçapavense, que o hospedou em casa, com quem conversei ontem a tarde. O burro correu em disparada e Jonathan demorou a encontrá-lo novamente. Na manhã de quarta, Jonathan ligou para o caçapavense, avisando que Judas passava mal. O homem foi até o local, e quando chegou, Judas já havia morrido.
O americano era só sentimento. Triste, não quis conversar com ninguém. Não tinha jeito de falar com imprensa. Estava entristecido e tudo o que queria era carregar o burro até o último local que acamparam, para enterrá-lo. Escondeu-se num mato, quis ficar sozinho e pensar na vida. Depois, passou a noite fazendo a cova do bicho.
Imagine. Um homem desapegado de tudo. Corajoso para trocar o conforto de uma vida certa pela aventura das madrugadas e serenos de estradas escuras, vazias, silenciosas. Sem apego material, sem apego à terra natal, sem apego às pessoas que encontra no caminho, sem apego à família que deixou. Mas a trajetória criou um apego inevitável: com seu bicho de estimação, seu companheiro de travessias, seu amigo Judas.
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| Última parada de Jonathan com seu burro, em Caçapava. Foto: Marcelo Marques |
Agora, Jonathan ainda não sabe o que vai fazer da viagem. Não sabe se continua a travessia sem Judas.
Ou se, cabisbaixo, volta para a terra natal... Dessa vez, com mais saudade.
domingo, 4 de março de 2012
um brinde ao Tempo
A Vida da Gente me chamou a atenção já o primeiro capítulo, lá em setembro. Desde o elenco (Rafael Cardoso e Leona, os gauchinhos), até a trilha sonora (embalada por, entre outros, Paulinho Moska e Bob Marley) e os detalhes minuciosos das locações onde a novela foi gravada. De Gramado a Porto Alegre, passando pela cidade cenográfica no Projac, até as roupas de inverno que cada personagem vestia. As cenas que traziam a novela pra um sentimento "tô em casa": o Parque a Redenção, o parcão, as imagens aéreas da Capital, o Guaíba, o pôr-do-sol alegre de Porto...
Mas o mais lindo, sem sombra de dúvidas, foi o enredo. Tá certo que lá no meio da história, parece que a escritora se embananou e não decidia quem ficava com quem. Era um troca-troca das irmãs, um vai-e-vem dos casais que parecia não ter fim. Mas no fim das contas, acredito que a história tenha agradado a quem estava acompanhando desde o comecinho.
Depois da união pela doença de Julia, Rodrigo ficou com Manu, com quem passou pelas maiores dificuldades da vida, aprendendo a criar uma criança e sofrendo a ausência de Ana. Ana, paixão adolescente de Rodrigo, acabou no final das contas com quem passou com ela os seis anos de coma e a quem conheceu de olhos fechados: Lúcio.
O mais lindo de tudo, mesmo, foi o brinde final. Absolutamente justo. Na voz da vovó Iná, personagem de Nicete Bruno, uma lição linda. Quase uma poesia...
...Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes, as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes, elas se depositam devagar como a conta gotas diante da avidez das nossas perguntas. E, por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida.
E o final da novela, não foi nada além do que o tempo mostra. Nem todos mudam (assim como Eva e Vitória, que apesar do tempo, continuaram iguaizinhas). Há feridas que só o tempo cicatriza. E coisas que só o tempo vai colocar no lugar. E momentos que ninguém consegue te explicar, só o tempo.
Pra fechar com chave de ouro, a voz de veludo da Maria Gadu deu o ritmo das últimas cenas, com a Oração ao Tempo, composição do Caetano.
Mas o mais lindo, sem sombra de dúvidas, foi o enredo. Tá certo que lá no meio da história, parece que a escritora se embananou e não decidia quem ficava com quem. Era um troca-troca das irmãs, um vai-e-vem dos casais que parecia não ter fim. Mas no fim das contas, acredito que a história tenha agradado a quem estava acompanhando desde o comecinho.
Depois da união pela doença de Julia, Rodrigo ficou com Manu, com quem passou pelas maiores dificuldades da vida, aprendendo a criar uma criança e sofrendo a ausência de Ana. Ana, paixão adolescente de Rodrigo, acabou no final das contas com quem passou com ela os seis anos de coma e a quem conheceu de olhos fechados: Lúcio.O mais lindo de tudo, mesmo, foi o brinde final. Absolutamente justo. Na voz da vovó Iná, personagem de Nicete Bruno, uma lição linda. Quase uma poesia...
...Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes, as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes, elas se depositam devagar como a conta gotas diante da avidez das nossas perguntas. E, por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida.
Amores ardentes se extinguem. Urgências se acalmam. Passos ágeis, alentam.
Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando.
Um brinde ao tempo que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca que tanto me orgulho.
Ao tempo! Ao tempo!"
E o final da novela, não foi nada além do que o tempo mostra. Nem todos mudam (assim como Eva e Vitória, que apesar do tempo, continuaram iguaizinhas). Há feridas que só o tempo cicatriza. E coisas que só o tempo vai colocar no lugar. E momentos que ninguém consegue te explicar, só o tempo.
Pra fechar com chave de ouro, a voz de veludo da Maria Gadu deu o ritmo das últimas cenas, com a Oração ao Tempo, composição do Caetano.
“(...)Do lado de cá, dois adultos maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado, feito de lembranças e sonhos antigos… Porque há sonhos novos do lado de cá da fronteira… E agora podemos viver…"
"o que usaremos pra isso
fica guardado em sigilo
tempo, tempo, tempo, tempo
apenas contigo e comigo"
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
oi, 2012! e valeu, 'ano velho'...
Não podia começar um novo texto sem falar do velho ano.
2011 enfim, passou tão rápido, que quando vi aqui estou, em uma redação de jornal, formada e diplomada.
Mas antes de falar com toda a euforia de uma nova foca, sobre as experiências diárias apaixonantes da profissão que escolhi, prefiro brevemente agradecer.
Um ano, 12 meses, 365 dias. Pena não conseguir contabilizar o número de desafios, ganhos, vitórias, sorrisos. Mas, assim, de tudo fica uma certeza, que até parece clichê: coomo valeu a pena!
Pensei 145 vezes em desistir antes de terminar um estágio. Pensei 213 vezes em deixar pra trás um projeto que tinha aceitado, por falta de tempo. Repensei 94 vezes em me dedicar exclusivamente ao meu trabalho final de graduação. Que bom, e repito mais uma vez, QUE MARAVILHOSO que consegui levar tudo isso, sem deixar nadinha pra trás.
Conciliei projetos, estágio, faculdade, viagens, família, namoro e amigos. Enlouqueci, pirei, chorei, pensei que ou me dava uma esquizofrenia, ou eu fugia de todo mundo com tudo por fazer. É claro que não.
É por isso que o suspiro aliviador no palco improvisado daquele 07 de janeiro é valioso. É por isso que cada lágrima (perdoe o sentimentalismo) derramada naquele final de semana foi cheia de alegria.
E é por isso que eu escrevo aqui, antes de detalhar meus dias felizes como, enfim, Jornalista.
Obrigada. E uma lista gigantesca me faria agradecer muita, muita gente que está envolvida nisso. Mas tenho medo de esquecer alguém. Agradeço, então, genericamente, sem tirar nenhuma importância, aos meus professores, minha orientadora, meus colegas, meus amigos, meus Pais, meus irmãos, meu namorado, minha família e meus amigos lindos que vieram de longe pra me ver receber o diploma, meus colegas de redação que estão me ensinando agora um pouco da magia do impresso... todos, todos vocês, sem exceção, são essenciais, importantes, fundamentais pra isso que se chama de felicidade...
Obrigada gente!
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
âncora? vela?
qual me leva? qual me prende?
Âncora prende. Vela leva... Mas, em uma visão ampliada, parafraseando o carinha das consoantes, há várias variáveis... E aí a pergunta, feita numa noite de sábado em Porto Alegre, enquanto tocava no som do carro essa música, foi respondida em duplicidade.
Quem sabe? Do que depende? Uma vela pode ser superficial. Leve. Leva, como o vento, é incerta... A âncora, concreta, sólida, permanece. Pode passar a (falsa?)sensação de segurança... naturalmente, não deixaria escapar.
Pelas toneladas, âncora inevitavelmente e sem sofrimento, prende a qualquer um, mesmo que não queira. Mas depois, por prender indiscutivelmente, pode virar martírio.
Talvez aí então, a beleza e a força do oposto... Enquanto uma vela não tem a capacidade de te prender pelo peso, ela, com um mistério espantoso, simplesmente pelo prazer da leveza... Me leva desafiando pra lugares inexplicáveis. Como um ímã, atrai... conecta... Pela liberdade, prende. Aí, a duplicidade boa da coisa.
A vela então, sem querer, também toma o papel da âncora: me leva... e me prende.
"...aprendi contigo a navegar, a qualquer tempo, em qualquer mar"
enghaw
terça-feira, 12 de julho de 2011
22 invernos
A noite de julho era gelada. Pelo que dizem foi por volta das sete horas da noite. Loirinha, tinha 50 centímetros, menos de dois quilos, toda frágil e pequeninha. O que sei é só o que me contam, não me perguntem qual foi a sensação que tive ao chegar por aqui. Mas bem que gostaria de lembrar. Sei que devo ter feito um bocado de diferença na vida de pelo menos duas pessoas nesse mundo. E isso já bastaria.
A retrospectiva inevitavelmente vem, os aniversários correm, os anos retrocedem na memória e passam em flashes todos os invernos anteriores... O resultado desse pensamento? Evolução.
Acho que é por isso que a vida deve valer a pena. Pra ver, ao longo dos aniversários e dos anos, quem se eterniza nesse ciclo. Quem fica, o quê fica, apesar de tudo. O que a gente leva, quem a gente leva, o que se descarta, o que se aprende, o que se carrega nas costas e o que se tatua na alma.
Já ouço meus pais e avós dizendo, “parecia ontem”. É, parecia ontem que eu não sabia o que era passar um aniversário longe de casa, parecia ontem meus 15 anos, parecia ontem a festinha na pré-escola. Inevitável nostalgia, carregada de sentimentos que só um passado muito bom te proporciona...
Conhecem a história do ano novo, né. Quando virou a noite, senti mesmo como se estivesse na virada do ano. Fogos de artifício no meu pensamento.
Um novo número, um novo ciclo, e que venha cheio de tudo o que me puder fazer crescer.
Conhecem a história do ano novo, né. Quando virou a noite, senti mesmo como se estivesse na virada do ano. Fogos de artifício no meu pensamento.
Um novo número, um novo ciclo, e que venha cheio de tudo o que me puder fazer crescer.
22 invernos. Confesso que prefiro ares de primavera... mas o inverno é a minha estação, julho é o meu mês e 12... é o meu dia.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
vamos viver a faixa?
Era domingo de Páscoa. Eu entrava na cidade pela avenida Dores, voltando de Santa Rosa com meu primo, por volta das oito horas da noite. Um engarrafamento estranho, e uma multidão logo a frente. O instinto curioso me fez sair do carro, que estava parado na avenida por causa do congestionamento, e ir até a movimentação. Lá, um susto. Uma menina, cabelos pretos, pequeninha, caída e desacordada no chão. Uma senhora gritava por socorro. Nenhuma ambulância no local. Logo, peguei o telefone e liguei para a Clarissa, para avisar. O cinegrafista não chegou a tempo de fazer imagens. Por sorte, as ambulâncias chegaram em cinco minutos e levaram a menina ao hospital.
O tio da pequena segurava nas mãos um pé do par das botinhas que ela usava. Ele me explicou que a menina atravessava a rua, quando um dos carros parou para ela passar, mas o carro da pista do lado não a viu. A pequena estava na faixa de segurança. Qual é o nome dela? Ouço um quase inaudível Luísa Helena.
Ver a menina me deixou com uma sensação de impunidade. Não pude fazer nada, mas vi a criança ali, no chão, e a família em desespero, sem ninguém saber o que fazer. Mais de dois meses depois, descubro que ela continua no hospital: 64 dias. Não corre risco de vida, mas pode sofrer sequelas. A parte neurológica foi muito afetada e ela pouco responde aos movimentos do corpo.
Ver a menina me deixou com uma sensação de impunidade. Não pude fazer nada, mas vi a criança ali, no chão, e a família em desespero, sem ninguém saber o que fazer. Mais de dois meses depois, descubro que ela continua no hospital: 64 dias. Não corre risco de vida, mas pode sofrer sequelas. A parte neurológica foi muito afetada e ela pouco responde aos movimentos do corpo.
A Luísa Helena foi só mais uma a ser atropelada na faixa de segurança, dias depois de um outro atropelamento, também na faixa de segurança, que causou a morte do padre Bernardino Trevisan. Como disse a mãe dela, Gabriela, Luisa Helena não foi a primeira e nem será a última.
Mas a prudência, a educação e a responsabilidade devem estar aí para modificar essas estatísticas. Pelo menos é o objetivo.
Por isso o Grupo RBS começou hoje a espalhar pela cidade um Viva a faixa bem grande, pra ser respeitada e cumprida. É um apelo às autoridades, pedestres e motoristas, mas acima de tudo, um apelo à vida.
Porque só quem sofre conhece a fragilidade da vida.
Minutos antes de ser atropelada, Luisa Helena saía da missa com os avós para descobrir o significado da Páscoa. Depois disso, não sabemos se ela teve algum momento de consciência. Foram segundos, um pé na faixa de segurança, um olhar desatento de um motorista, e uma consequência triste.
Minutos antes de ser atropelada, Luisa Helena saía da missa com os avós para descobrir o significado da Páscoa. Depois disso, não sabemos se ela teve algum momento de consciência. Foram segundos, um pé na faixa de segurança, um olhar desatento de um motorista, e uma consequência triste.
Torcemos pela recuperação da pequena, e pra que todos os familiares voltem a ver o sorriso dela. E principalmente, que não aconteçam outras situações como essa, que sabemos, não é a única.
E ainda, que a educação no trânsito, aconsciência, o cuidado e o respeito à vida perseverem. É essa a bandeira levantada.Vamos viver e deixar viver. Viva a faixa.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
são as pequenas coisas
...que valem mais
Foi bom acordar aquela manhã, apesar do mal estar no estômago. Depois do meio dia, tudo voltou a virar normal e, como é rotineiro depois das despedidas, bateu um desânimo chato. A tarde corrida passou como um raio e cheia de tarefas. A volta pra casa a pé foi uma opção pra exercitar, deixar o vento bater no rosto, pensar. Esvaziar a caixa de correspondências, preparar-se pra aula nos minutos seguintes, comer um lanche rápido, trocar a roup... ops.
Já depois da aula, pensando nas tarefas do dia seguinte, olhando e-mails, vendo atualizações de orkuts, facebooks, twitters... uma tarja amarelinha indica novidade. Clica, e ali está.
Meu dia ganho com pequenas coisas. Um bilhete em cima da minha cama... uma música estampando dez anos de amizade... Isso, naquele dia. E que ninguém negue o poder das pequenas coisas... As vezes, uma palavra que valoriza teu esforço. Um riso sincero, um abraço, um elogio. Uma ligação da família com saudade. Um olho no olho bem olhado. Uma recordação guardada em papel. Não canso de dizer, e faço questão de lembrar todo o dia.. são as pequenas coisas que trazem grandes proporções de felicidade.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
pra matar a saudade...
...em dose dupla.
tava com saudade de escrever aqui. justificativas nem sempre justificam, fato que eu tinha 20384 mil coisas pra escrever no blog nos últimos meses, mas o tempo com faculdade, projetos, estágio, me consumiu. Sem mais "desculpinhas", volto pra matar a saudade em dose dupla. Rabiscando na agenda da Andressa hoje, lembrei de um texto do Oscar Wilde, que na época do teatro, decorei para uma apresentação no colégio. É claro que deu saudade. Então, lembrando das minhas definições de amizade lá longe, relendo o texto, e redefinindo meus conceitos de amizade hoje, cheguei à conclusão: continuam o mesmo, igualzinho ao que muito bem define esse texto:
loucos e santos
Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os ão pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
doce 14
Há 19 anos, minha avó segurava um bebezinho na janela do Hospital de Caridade. Erguia como se fora um troféu, a roupinha branca e os cabelos bem pretos. Eu queria entrar e ver o bebê de perto, pegar no colo ou só acariciar o rostinho. Mas o senhor da portaria não deixou uma criança de dois anos e oito meses entrar na maternidade do hospital.
Não sei em que ponto acaba a memória e vem a imaginação, mas talvez seja essa a minha lembrança mais distante. Por vezes acreditava que a lembrança era sonho, e às vezes até confundo e penso que deve ter sido... Mas meu pai e meu irmão confirmam o que a minha memória guarda, e contam que foi mesmo naquele 14 de abril de 1992.
Essa é a mais remota, mas outras vêm à tona como se andasse numa viagem a caminhos bem coloridos. O bebezinho de cabelos pretos chegou e foi a melhor amizade para a loirinha que recém descobria a infância. Uma infância docinha, cheia de barbies, barraquinhas de lençol e castelos de areia. Inevitavelmente... o tempo construiu uma cumplicidade que não se compra, não se vende, não se substitui.
Muitos puxões de cabelo, arranhões que cicatrizaram, palavrinhas proferidas na hora errada e raivinhas passageiras só mostraram isso: são passageiras. Irmão briga, se escabela, grita, chora, bate, morre de raiva, mas depois, nem morre nada. Passa tudo, e passa pra cá um copo de cerveja, um pacote de salgadinho, um pedaço de bolo, uma roupa emprestada, tá tudo certo, tudo bem.
É aquela velha história... escolhemos os amigos, não escolhemos os irmãos. Mas se existe o arquiteto do destino, ele acertou muito bem na escolha. Nos colocou juntas no mesmo sangue, na mesma casa e na mesma vida. Apesar de uma ou outra diferença, sabemos bem mais das semelhanças, dos olhares decifrados, do riso e o medo compartilhado, da cumplicidade e do amor.
Que assim permaneça sempre. Aqui, em Santa Rosa, em Pelotas, onde o destino nos colocar, longe, perto, ou em pensamento.
Sei que a vida vai aprontar..e o que vier, azar.
a dois é fácil segurar
Se Deus deixar, viu
meu amigo
Vou sempre estar aqui
Junto a ti, feito corpo e alma
meu irmão, meu par
Sei que a vida vai aprontar..e o que vier, azar.
a dois é fácil segurar
Se Deus deixar, viu
meu amigo
Vou sempre estar aqui
Junto a ti, feito corpo e alma
meu irmão, meu par
felicidades mil, sorella! FELIZ 19 aninhos!!
[aqui, ó, e só pra nós, aproveita e muito essa vida loca!]
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
voz de veludo, mayra correa aygadoux
dias tumultuados me impediram de sentar com calma e parar para escrever, qualquer coisa que fosse, nesse espacinho. fato é que queria poder escrever com mais frequencia por aqui... hoje apareço pra externar um pouco um gosto que tem sido presença constante nos últimos dias.
geralmente não sou daquelas que escuta a mesma música no repeat 28764 vezes, mas algumas exceções raramente aparecem... é o caso do último dvd que comprei - também não compro milhares de dvds. só os que, de fato, gosto muito.
tudo começa com abajures amarelados em um fundo vermelho rabiscado por algumas letras. a trilha é da música bela flor. aperte a primeira opção, show, e já vai ter o encontro. depois, segue e curte...
alguns críticos até reclamaram que o dvd traz só sete músicas próprias dela. mas, ao contrário do que pensam, creio eu que ele foi gravado na hora certa. mayra correa, ou, a querida maria gadu, tem talento e canta com a alma... um jeitinho que remete a cássia eller e uma voz de veludo. dá pra ver a relação bonita com os amigos que ela leva pro palco e que dividem com ela canções igualmente belíssimas...gostei da mistura com a arte, quando ela chama caio soh para "colorir, e escrever", quando toca nosso altar particular. então, com um pincel, ele rabisca letras de músicas em uma lousa branca. (se não for pela arte, por que a alma pesando o corpo?).
sem mais, deixo aqui o registro de algumas notas que tem me ritmado e agora também entram pra minha trilha...
..a música é um pequeno lembrete de Deus de que há mais coisas no mundo do que nós...ligação harmônica entre todos os seres vivos, em todo lugar, até nas estrelas. (do filme, o som do coração)
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
mario quintana
"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...”.
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...”.
m. quintana
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Thanks, so much, 2010

A época mais propícia a retrospectivas sempre me instiga a parar e pensar nos meses que se passaram. Inevitável a comparação do “o que você fazia, pensava, tinha e desejava, nesse mesmo dia, no ano passado?”. Não vou me deter a comparações, apenas acrescentar um sinalzinho de somatório em tudo [de bom].
Não tem como fugir do clichezão e dizer o quanto 2010 acrescentou. Me fez crescer, me deu sabedoria e ao meu lado pessoas especiais. Nada seria mais justo do que usar este espaço para agradecer. Então, thanks, so much:
...à ele lá em cima. Por me tirar alguém especial só depois de ele ter vivido tudo o que tinha pra viver, ver filhos, netos e bisnetos, ensinar e deixar grandes lembranças. O sorriso do nonno sempre vai ficar.
...ao meu porto seguro, minha base, minha calmaria.meus pais me orgulham, e 2010 não mostrou nada diferente disso. amo-os.
...ao fê, pela semana de férias em Santa Catarina e a adrenalina de experimentar vários quilômetros por hora em uma cbr 600 quase à beira-mar.e pela parceria que só um irmão pode te dar.
...à mari, irmã que se mostra cada vez amiga, a amiga que Deus escolheu irmã. Pelos incansáveis e estressantes dias de semana em que nos aturamos nesse corrido 2010, e pelo amor-irmã que insiste em permanecer conosco.
...aos colegas do jornalismo parceiros de intercom: valeram aqueles dias, os pa-pan americano's , cada raio de sol e cada folhinha de grama daquela UCS.
...a todos que me ajudaram na produção do curta: sem o empenho, a coisa não sairia. ano que vem teremos orgulho do nosso filhinho pronto.
...colegas da cacism, vocês também entram aqui, pela experiência e companheirismo bom que existiu ao longo do ano inteirinho.
...a quem entrou na minha vida de uma forma mais intensa, mas sempre esteve nela.
...a quem, de alguma forma, saiu da minha vida. Levo comigo boas lembranças de tudo que vivi em qualquer momento.. carrego comigo tudo de bom e excluo de vez tudo de ruim. O resto é experiência.
..a todos que me somaram companheirismo, amizade, sorrisos, aprendizado e muita energia boa. aos especiais que conheci em 2010 e carregarei comigo pra vida.
Certamente 2010 está sendo finalizado com um saldo positivo. Ver uma pessoa que amo e não via há mais de quatro anos é especial demais. (ainda mais quando parece que a última vez que nos vimos foi na semana passada...) Passar os últimos dias do ano do lado da minha família é divino. Aproveitar uma tarde do lado das amigas de infância é nostálgico e maravilhoso. Sol, calor e o merecido descanso em um lugar onde amo estar, é tudo que eu queria.
Por isso, ao fim de tudo, eu posso dizer: thanks, so much, 2010. E que venham os próximos 365.
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